CAMOCIM CEARÁ

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.(Mt.5)

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

FAÇAMOS O NOSSO MELHOR PELOS OUTROS

Estamos às portas do Natal do Senhor, e hoje a liturgia nos coloca ao lado da Virgem Mãe na contemplação do Bendito Filho que vem. Maria, “a Mãe do meu Senhor”, é vista não somente pelo afeto de quem ama a Deus, mas ainda, de modo especial, pelos que têm a responsabilidade pela transmissão da verdade teológica do mistério divino no meio de nós. É sumamente importante adentrarmos nas entrelinhas das Escrituras em busca de maior clareza quanto à Revelação de Deus para nós. Na liturgia de hoje, de modo especial, a Virgem Maria é o “lugar” da contemplação do mistério da Encarnação do Verbo, a Pequenina agigantada pela Graça de Deus, o olhar bendito que nos direciona para o amado filho Jesus Cristo, o Emanuel, Deus conosco.
Depois de dialogar com o Anjo Gabriel, Maria foi apressadamente se encontrar com sua prima Isabel. Ela não duvidava das palavras do arcanjo. Sua ida à casa de sua prima mostra, antes de tudo, sua disponibilidade, seu interesse em cuidar de uma senhora grávida, pois Isabel era de idade avançada. Certamente passava na cabeça de Maria o que lhe foi dito pelo Anjo Gabriel, mas não era seu intuito querer saber se o Anjo realmente tinha acertado no que disse. Isso seria duvidar de Deus. Maria não tem dúvida da palavra que lhe foi dirigida, tanto é que se colocou absolutamente à disposição do Senhor: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra". Maria aparece muito mais como a Serva do Senhor.
Para além de uma observação factual, Lc apresenta uma importante hermenêutica bíblica. O texto revela uma profunda teologia, aquilo que ele e a Igreja experimentaram a partir da ressurreição de Jesus. A ida de Maria ao encontro de Isabel é sinal do encontro entre a Nova e e Antiga Aliança. Na saudação de Maria é proclamada, solenemente, a chegada do Messias esperado, “o Príncipe da paz” (Is 9,5), a presença da “paz abundante” (Sl 71,7), a paz necessária para a construção de um mundo novo. Maria, então, é portadora da paz. Isabel chama Maria de “Bendita entre as mulheres”. Jael e Judite também receberam esse tipo de saudação (Jz 5,24 e Jt 13,23), duas mulheres frágeis, mas que, por graça de Deus, venceram. Ora, aplicando essa saudação à Maria, Lc está querendo afirmar que ela é o instrumento frágil e pobre pelo qual Deus realiza Suas maravilhas, dando ao mundo o Salvador. Além disso, Isabel representa o Antigo Testamento; Maria, o Novo. Aquela estéril, Esta, fecunda.
Maria é bendita, antes de tudo, por ter sido pensada, preparada e escolhida por Deus; também por ser toda voltada para o seu Senhor; e, ainda, por causa do Bendito, por Ele agraciada, a fim de ser sua Mãe. Por vontade do Pai, Maria foi criada como um sacrário, não feito por mãos humanas, mas do jeito do querer de Deus. A arca foi criada para transportar a Lei de Deus, e por isso era motivo de reverência, júbilo e festa. Nela, o povo entendia que estava o Senhor. Diante dela, Davi assim exclama: “Como virá a Arca do Senhor para ficar na minha casa?” (2Sm 6,9). A Arca passou três meses em uma residência judaica, depois de ter sido recebida com muita festa: danças, gritos alegres e cantos festivos, porque ali se encontrava a presença do Senhor e isso era bênção para toda a família acolhedora (2Sm 6,10-11). É possível perceber a ligação estabelecida por Lucas entre esses textos e o encontro de Maria com Isabel, o qual provoca uma reação exultante tanto em Isabel quanto no seu filho, que “pula de alegria” (cf. Is 54,1) no seu ventre. A presença de Maria é sinal da presença de Deus, Maria como a nova ARCA exclusiva de Deus, que se apresenta como realização das promessas messiânicas e, finalmente, como o céu na terra.
Maria foi pensada por Deus como a Kecharitomene, agraciada em sentido pleno, para ser a mãe da Graça salvífica. Isabel não “vê” a prima Maria, mas a Mãe do Senhor. Aquele momento expressa unicamente ação da graça de Deus, presença do Espírito e, portanto, manifestação de fé. O encanto manifestado por Isabel revela o que se espera do povo antigo de Deus, mas também o encanto de todo a Igreja pelo mistério de Deus na vida de Maria, que foi feita encanto de Deus. Todo o ser de Maria exprime essa verdade. Maria é o sinal autêntico da Nova e Eterna Aliança. Sua presença provocou uma verdadeira transformação na realidade de Isabel, que ficou "cheia do Espírito Santo". Maria, plena do Espírito, portadora do Eterno, concede a Isabel a graça de perceber a grande novidade, o prometido, o Messias, já presente na história, ali no ventre da Virgem. No encontro das mulheres (as duas Alianças), dá-se o encontro de duas crianças, o Bendito, o Salvador, e o seu precursor, "a voz do que clama no deserto", aquele que, naquele momento, representa todo o povo de Israel. A criança no seio de Isabel alegra-se ao sentir a presença do esperado e, ali, recebe a Força do Altíssimo para exercer sua grande missão profética, a de ser o maior dos profetas por anunciar, batizar e apontar o Messias Servo do Senhor.
E quanto a você, como vê a Virgem Mãe de Deus? Dá a ela o lugar querido por Deus? É capaze de tê-la em sua casa? Você entende Maria como autêntica portadora de Deus? Você se alegra pelo fato de Maria ser Mãe de Deus por vontade DELE e discípula por força de sua fé? Assim como a Virgem é para Deus, ela é também um encanto para você? Você tem um relacionamento verdadeiramente filial com a Mãe do Salvador nosso? Você realmente aceita a Virgem Santíssima como sua mãe? Procura fazer com que sua alma engrandeça o Senhor? O seu corpo é templo do Espírito de Deus? De quem você é portador (a) de Deus?
Um forte e carinhoso abraço.
Padre José Erinaldo


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