CAMOCIM CEARÁ

Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.(Mt.5)

quarta-feira, 24 de julho de 2024

O conhecimento de Jesus e dos seus ensinamentos se dá na abertura a Ele, às suas palavras e à sua vida.

 Mt 13,1-9. Quarta-feira da 16ª Semana do TC, 24 de julho de 2024. S. Charbel Makhluf.

Evangelho 



1 Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-se às margens do mar da Galileia. 2 Uma grande multidão reuniu-se em volta dele. Por isso Jesus entrou numa barca e sentou-se, enquanto a multidão ficava de pé, na praia. 3 E disse-lhes muitas coisas em parábolas: "O semeador saiu para semear. 4 Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e os pássaros vieram e as comeram. 5 Outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra. As sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda. 6 Mas, quando o sol apareceu, as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz. 7 Outras sementes caíram no meio dos espinhos. Os espinhos cresceram e sufocaram as plantas. 8Outras sementes, porém, caíram em terra boa, e produziram à base de cem, de sessenta e de trinta frutos por semente. 9Quem tem ouvidos, ouça!"


— Palavra da Salvação.



Reflexão



Mateus escreve às comunidades da Síria e do norte da Palestina, onde se encontravam dois grandes problemas: as lideranças judaicas contrárias a Jesus e o desânimo dos cristãos diante dos graves desafios da missão num mundo indiferente à Palavra de Deus. Mt procura esclarecê-las e estimulá-las no ministério, reaproximá-las da vocação cristã e do primeiro amor, e da responsabilidade de cada um diante do mistério da cruz, para se alcançar a salvação dos perseguidores; e ainda evidencia a presença do reino de Deus em atividade constante, atuando como uma simples semente, mas que tende à glória. Tal semente lançada no coração do homem, a fim de que ele faça sua parte, como terreno fecundado, respondendo à ação do Senhor em sua vida para seu bem e o bem de toda a humanidade.


 


No texto de hoje, o acento cai sobre a semente, que é a Palavra de Deus. Ela deve ser semeada no mundo inteiro, mesmo que os terrenos sejam de má qualidade. Um exemplo disso é a terra de Israel, um território impróprio para o plantio ou mesmo a semeadura. Lá, é comum lançar a semente estando ainda a terra despreparada, ou seja, completamente tomada de matos, mas, mesmo assim, o semeador lança a semente, sabendo de todos os riscos, podendo ou não colher algum fruto mais tarde. Assim deve proceder a comunidade cristã. Sua preocupação não deve se concentrar na colheita, na transformação imediata da humanidade, numa resposta rápida ao anúncio feito. Em muitos casos isso é possível, mas em muitos outros, tudo parece não dar certo. Aí bate o desânimo. O semeador deve ter apenas uma preocupação: semear sem medo e permanecer confiante no poder de Deus.


 


Aquele que semeia deve, antes de tudo, não escolher o lugar onde a semente será lançada nem querer forçar o crescimento da semente nos corações. O semeador deve ser uma pessoa de profunda vida de oração, de conhecimento da Palavra de Deus e de conhecimento da realidade humana; alguém simples, humilde, paciente, desapegado, disponível, obediente e decidido. Deve ser alguém que creia de verdade, que entenda sua vida como um dom e viva a vida como um dom de Deus, e tenha como alicerce de sua existência a verdade. Dessa forma, terá como preocupação uma mais cuidadosa missão evangelizadora, procurando ser mais autêntico e mais eficaz na semeadura da Palavra, desapegado dos frutos e apegado ao exercício digno de sua missão, deixando a Deus a responsabilidade da força motora do desabrochar e do desenvolvimento da planta, bem como a colheita dos frutos. O semeador deve ser fiel e verdadeiro, amar e viver na alegria da resposta a Deus, semeando no coração de todos os homens, sem exceção, pois seu interesse é a salvação de todos, deixando-os livres para darem frutos ou não, muitos ou poucos frutos, mas que cada um seja livre na resposta ao chamado salvífico de Deus.


 

O conhecimento de Jesus e dos seus ensinamentos se dá na abertura a Ele, às suas palavras e à sua vida. Não é suficiente conhecer o mundo inteiro e a ciência dos homens. Não basta conhecer os Mandamentos e ser mestre em Israel ou no mundo grego ou ainda em qualquer universidade no mundo. Na rejeição a Jesus, tanto as lideranças judaicas quanto os pagãos se afastam mais e mais de Deus e se abismam em uma cegueira tremenda. Os "mestres" do mundo se enroscam nas próprias ideias, enferrujam nos seus limites intelectuais e morrem engasgados nas suas próprias teses, infelizes pelo fato de terem encontrado a verdade. Por outro lado, na medida em que se prontificam, verdadeiramente, a ouvir o que Jesus tem a dizer, certamente passam, não somente a enxergar mais, mas também adquirem a possibilidade da identificação com a Verdade. O contrário também acontece, pois na medida em que se tornam insensíveis aos ensinamentos de Jesus, aumenta absurdamente sua ignorância nos mistérios de Deus e aproximam-se da própria desumanização.


 

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